Se Liam e Noel estão de volta ao palco, oficialmente acabaram os novos deuses.
São 3:07 da manhã.
Minhas costas doem. O Wi-Fi está oscilando. Em algum lugar na névoa digital da linha do tempo, vejo as palavras que nunca pensei que veria de novo — Oasis. Reunião. Confirmado.
Meu peito aperta. Não de alegria. De pavor existencial.
Não porque eu odeie Oasis — eu não odeio. Eu amo aqueles idiotas. Já chorei com “Slide Away.” Já declarei, bêbado, que Definitely Maybe é o álbum mais importante já feito (várias vezes, para vários bartenders). Mas porque se Liam e Noel estão reunindo a banda, significa que nós, como civilização, oficialmente esgotamos as ideias novas.
Britpop é o animal de suporte emocional de um Ocidente em colapso
Oasis não é só uma banda. Eles são um mito. Dois caras de Manchester gritando um com o outro sobre riffs roubados dos Beatles e cantos de futebol. A novela original da classe trabalhadora. Os filhos ilegítimos do Thatcherismo armados com cortes tigela e desdém.
A reunião deles é comida reconfortante. Mas comida reconfortante é o que você come quando a geladeira está vazia e o mundo está pegando fogo. Isso não é uma turnê. É um grito de socorro da alma de uma geração esgotada.
Todo retorno é um espelho — e ele está rachado
Olhe ao redor: moda Y2K. Atrasos na prensagem de vinil. De repente todo mundo acha que gosta de jungle de novo. A nostalgia virou modelo de negócio. E Oasis? Eles são o chefe final dessa espiral regressiva.
Porque quando eles se separaram, ainda acreditávamos em coisas como progresso. Mas agora? Temos IA fazendo músicas tipo Oasis no TikTok enquanto os verdadeiros irmãos assinam contratos de reunião com a tinta ainda fresca da última briga no Twitter.
Isso não é uma celebração — é o Dia da Marmota cultural. E todos nós somos o Phil.
O setlist será um funeral para o futuro
Eles vão tocar “Live Forever,” e vamos gritar como se fosse 1996. Mas a piada é com a gente — essa música mentiu. Nada é feito para durar. Nem bandas. Nem países. Nem contratos sociais. Definitivamente não royalties de streaming.
Eles vão tocar “Don’t Look Back in Anger,” e vamos olhar para trás mesmo assim, porque não há nada à nossa frente.
Eles vão terminar com “Champagne Supernova,” e vamos fingir que sabemos o que diabos isso significa, só por um momento. Só para sentir que ainda somos as crianças que acreditavam que a música poderia nos salvar.
Pensamento final: talvez seja isso que precisamos
Talvez seja isso. Talvez não precisemos de novos messias. Talvez só precisemos do Liam gritando “Tonight, I’m a rock ’n’ roll star!” no vazio enquanto o mundo queima.
Porque pelo menos é real. Pelo menos é alto. Pelo menos não finge ter respostas.
E talvez, só talvez, o fato de dois mancunianos envelhecidos com uma rixa de longa data poderem compartilhar um palco de novo seja um lembrete de que reconciliação não é impossível — é só muito, muito barulhenta.
Então é isso. Vou comprar um ingresso. Vou chorar durante “Slide Away.” E depois vou andar para casa, com os fones, rolando as notícias, me perguntando se acabei de ver o último grande milagre do nosso tempo.
Nico Delray é um guitarrista de turnê que virou editor de equipamentos, com amor por pedais excêntricos e construções boutique. Ele se formou em clubes DIY pelo Meio-Oeste e agora escreve de um apartamento no Brooklyn cheio de synths, cordas e stompboxes. Na Audio Chronicle, ele traz o ouvido de um músico para cada review — sem hype, só tom honesto.
Escrito por Nico Delray
Comentários
Ainda não há comentários.