Os Deuses Caíram (e Agora Trabalham como Freelancers por Exposição)
Houve um tempo — juntem-se, crianças — quando uma nota 6,4 da Pitchfork podia acabar com a carreira da sua banda mais rápido que uma transmissão de van quebrada. Quando Tiny Mix Tapes era lido como escritura e links do Blogspot eram moeda corrente. Críticos usavam seu cinismo como jaquetas de couro, suas contagens de palavras como facões. Nós os temíamos. Debatíamos nas seções de comentários. Alguns de nós até queriam ser eles.
Mas agora? A Pitchfork foi comprada pelo pai da GQ. A NME é só uma conta no Twitter com mercadorias. E o último blog de música sobrevivente é administrado por um cara chamado Kev que só posta às quintas porque ele compartilha Wi-Fi com o vizinho e o sinal cai se chover.
O crítico musical, como guardião cultural, está morto. E quem os matou?
Você matou. Com seus memes. Com seus threads. Com seus “hot takes” às 3 da manhã digitados enquanto ouvia Mitski e comia cereal seco em espiral.
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Vamos ser realistas: os críticos mereceram.
Eles passaram anos descrevendo distorção como “visceral” e chamando qualquer coisa vagamente experimental de “Lynchiano”. Escreveram ensaios de 1.200 palavras sobre a nuance emocional de uma música chamada Pizza Slut. Jogavam termos como "pós-pós-irônico" como se fosse tempero.
Enquanto isso, os fãs estavam ficando mais barulhentos. Mais inteligentes. Mais engraçados. Mais enlouquecidos — no melhor sentido.
Agora, tornados inteiros de discurso surgem de um único comentário no TikTok, como:
“não sei, este novo álbum soa como o interior de um vape, mas de um jeito bom.”
No Reddit, as pessoas estão avaliando álbuns em tempo real com fluxogramas, gráficos e frases que começam com “como um esquerdista neurodivergente...” Registrar músicas no estilo Letterboxd virou coisa comum. Ensaios no YouTube estão psicanalisando Kid A como se fosse Dostoiévski. Poxa, até o Spotify Wrapped tem uma voz editorial mais forte que a Rolling Stone atualmente.
Os críticos foram substituídos pelo feed — e isso é meio que lindo?
O algoritmo não se importa com o que Anthony Fantano pensa. Nem os Zoomers que descobriram Loveless por meio de edições no Minecraft e agora explicam shoegaze para a aula de filosofia.
A crítica musical não desapareceu. Ela está… em todo lugar. Fraturada. Memificada. Reassemblada em TikToks que começam com “Ninguém está falando sobre isso…” e seguem desmontando emocionalmente um gênero inteiro em 18 segundos, enquanto estão vestidos como um fantasma vitoriano.
Trocamos a guarda de portões por terapia em grupo. Nada mais de introduções “objetivas” de 3 parágrafos sobre a cidade natal de um artista. Agora temos threads no Twitter com 300 citações, cada uma adicionando mais lore. Temos fãs que escrevem 10.000 palavras sobre o arco emocional de um preenchimento de bateria. Temos adolescentes que fazem playlists no Spotify mais coerentes que a maioria dos calendários editoriais.
E sejamos honestos — é mais divertido.
Faça um brinde à condescendência
Olha, vou sentir falta de algumas coisas. As metáforas excessivas. A recusa em chamar um caixa de apenas caixa ("a espinha percussiva da música bate como a máquina de escrever de Deus"). A lógica estranha de avaliação interna (8.1 = obra-prima, 7.9 = mediano certificado).
Havia uma espécie de poesia naquele caos. Um ritmo para a pretensão. Um charme para o desprezo.
Mas agora há uma nova poesia — e ela é postada às 2 da manhã em um Discord chamado Coreheads Anonymous por alguém que diz coisas como “isso é mais pesado que minha depressão sazonal.”
Vida longa aos não qualificados
O ego está morto. A monocultura está morta. Os velhos deuses saíram da sala — provavelmente para escrever um Substack que ninguém lê.
E o que resta? Barulho. Paixão. Shitposts. Uma internet inteira cheia de opiniões pela metade e obsessão sincera.
O crítico pode estar morto. Mas a crítica? Está viva. Alta. E às vezes, estranhamente comovente.
E, honestamente? Isso é um 10,0 para mim.
Escrito por Jude Harper
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