Uma nota dentro da gravação
Uma boa execução pode vir acompanhada de um detalhe incômodo: uma nota que destoa do arranjo. O ritmo parece certo e a dinâmica soa natural. Gravar a parte de novo pode fazer essas qualidades se perderem. Nessa situação, é tentador editar um acorde já gravado para mudar uma única nota.
A matéria da MusicRadar de 12 de outubro destaca o Bubblegum, um editor de afinação gratuito da Your Smile is Art para Windows, Mac e Linux. O recurso descrito é a edição de notas polifônicas, que permite reafinar, mover e alongar notas individuais dentro de uma gravação.
Essa é uma proposta útil para músicos que precisam fazer um reparo pontual. Não testamos o Bubblegum, então não há aqui uma avaliação prática da qualidade de som ou da confiabilidade do programa. O melhor é começar com um ajuste pequeno, cujo resultado você possa avaliar com clareza.
O que um acorde exige de um editor
Uma linha com uma única nota oferece um alvo relativamente claro para um editor de afinação. Em um acorde, várias notas soam ao mesmo tempo, e cada uma produz harmônicos que podem se sobrepor aos das outras. O ataque e o decaimento também importam. O som continua mudando depois que o músico toca as notas.
Um editor que tenta fazer alterações nota por nota precisa interpretar esse sinal misturado. A cauda de uma reverberação ou um timbre distorcido pode dificultar a identificação dos limites entre as notas. Portanto, uma edição bem-sucedida em uma gravação diz pouco sobre como outro instrumento vai se comportar.
A comparação com o Melodyne no título da MusicRadar aponta para a ideia geral. É preciso comprovar separadamente se os recursos se equiparam aos de qualquer editor consagrado. Da mesma forma, a edição de notas polifônicas e a separação de stems têm objetivos diferentes. Uma ferramenta de stems pode tentar isolar a parte do teclado de uma mixagem. Já um editor de notas polifônicas tenta permitir o acesso individual às alturas das notas dessa parte.
Essa diferença importa na hora de escolher a primeira tarefa. Uma gravação de instrumento sem outros elementos por cima oferece menos fontes sobrepostas para avaliar do que uma música finalizada.
Comece a edição com uma resposta conhecida
Comece a avaliação com uma gravação curta cujas notas você conheça. É mais fácil avaliar um acorde seco tocado em um instrumento que você controla do que uma mixagem densa. Guarde uma cópia sem alterações.
Escolha uma pequena mudança de afinação. O objetivo é ouvir se a nota pretendida muda sem afetar as notas vizinhas. Uma rearmonização drástica cria perguntas demais de uma só vez, especialmente enquanto você aprende como uma ferramenta interpreta o áudio de origem.
Ouça no contexto do arranjo e, depois, examine a edição isoladamente. Ajuste os níveis de reprodução para que uma versão mais alta não pareça melhor por acaso. Preste atenção ao ataque do acorde e ao fim da sustentação. A edição pode chegar à afinação desejada e, ainda assim, deixar o áudio ao redor menos coeso. Ouça se o ataque ficou mais suave, se há uma oscilação artificial ou se a cauda parece se desprender do instrumento.
Em seguida, avalie a movimentação e o alongamento separadamente, pois essas também são funções mencionadas. Manter os testes separados facilita identificar qual operação causou uma mudança indesejada. Alguns segundos de áudio familiar podem oferecer uma comparação simples, sem deixar uma faixa inteira cheia de edições incertas.
Deixe algumas notas como estão
A correção de afinação traz a tentação de tratar qualquer desvio como um defeito. Em uma parte marcada por bends ou pela espontaneidade de um conjunto, isso pode apagar justamente o motivo pelo qual a gravação funcionou. A referência deve ser o arranjo e a intenção de quem toca.
Para corrigir um acorde, anote o objetivo musical antes de abrir o arquivo. Talvez a harmonia tenha mudado depois da gravação e agora seja preciso deslocar uma nota sustentada. Talvez um único erro interrompa uma tomada que, no restante, deveria fazer parte da música. Nos dois casos, você define um ponto claro para encerrar a edição.
A mesma cautela vale para o tempo. Antecipar uma nota pode mudar a sonoridade de um acorde, mesmo que todas as outras notas permaneçam onde estavam. Alongar sua cauda pode alterar o espaço antes da frase seguinte. Antes de tratar cada função disponível como parte da limpeza de rotina, decida quais mudanças a música realmente precisa.
O processamento extremo também pode ser uma escolha musical. Faça uma versão separada para esse experimento, em que um som estranho possa conquistar seu espaço sem ser confundido com uma correção transparente.
Confira como o áudio volta para a sessão
A disponibilidade em várias plataformas é bem-vinda, especialmente se o Linux já faz parte do seu fluxo de trabalho de áudio. Antes de assumir um trabalho, confirme as versões de sistema operacional e os requisitos de hardware compatíveis. Veja também como o editor se conecta ao seu fluxo de trabalho atual: por plug-in, aplicativo independente ou outro método. Uma lista de plataformas, por si só, não responde a essas dúvidas de configuração.
O gerenciamento de arquivos merece a mesma atenção que o ajuste de afinação. Confira os formatos de importação e exportação compatíveis, incluindo a taxa de amostragem e a profundidade de bits necessárias. Ao exportar um trecho, preserve um ponto de alinhamento claro e material suficiente ao redor da edição para ouvir seu início e sua cauda.
Quando o resultado voltar à DAW, coloque-o em uma faixa alternativa e confira o tempo em relação ao original. Uma correção de nota que soa bem isolada ainda pode dar trabalho se o arquivo renderizado voltar com nível ou posição inesperados.
Salve o áudio sem alterações junto com o resultado renderizado. Assim, o projeto continua utilizável sem depender da disponibilidade deste editor sempre que a sessão for reaberta. Para uma correção ocasional, uma ida e volta manual pode ser perfeitamente aceitável. Já uma sessão que exija dezenas de revisões dependerá muito mais de integração e repetibilidade.
Um lugar útil na mesa
Bubblegum merece atenção pela combinação relatada de controle polifônico e disponibilidade em três plataformas para desktop, especialmente por não ter custo de compra. Para quem precisa corrigir acordes de vez em quando, esse conjunto de recursos é relevante. Recomendá-lo como substituto de um editor já consolidado exigiria evidências sobre som e fluxo de trabalho que não temos.
A primeira decisão pode ser simples. Descubra se ele dá conta do material que você realmente grava e, então, avalie se esse vai e volta vale a pena na sua rotina de trabalho. Uma ferramenta especializada útil pode ficar sem uso durante a maior parte de um projeto.
Nessa primeira avaliação, mantenha o objetivo audível e específico: alterar uma nota em um acorde conhecido. Deixe a gravação original na próxima faixa, com o áudio silenciado, pronta para quando o arranjo mudar de novo.
Escrito por Marvin Cavanaugh
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